Crucifixus etiam pro nobis
Eu pretendia escrever uma crônica chavão sobre a sexta-feira da paixão e dizer que (voz de velho) "na minha época, sexta feira da paixão era bem diferente de hoje, a gente não podia rir, só se vestia de preto e as rádios só tocavam músicas tristes"(fim da voz de velho), mas eu parei para pensar e vi que minha crônica não iria pegar, não houve muita mudança nesses últimos 8 anos, do Axé para o Funk, talvez seja o máximo. Mas é interessante falar da crucifixação depois de que insurgiram tantos teólogos nos últimos meses, eu não vi o filme, mas acho que essa frase da Paixão Segundo São Mateus, de Bach, encerra tudo:
Drum muss uns sein verdienstilch Leiden recht bitter und doch süíŸen sein
"Então seu sofrimento meritório deve ser corretamente amargo e doce"
Ok. Picandro não é o maior poeta de todos os tempos, mas acho que essa frase resume o que deve ser as comemorações da Paixão de Cristo: tristes, mas alegres. A tristeza obviamente entra pela extrema violência que é o flagelo, a crucifixação e a humilhação de Cristo. Mas a alegria, que í s vezes tende a ser esquecida, entra porque essa morte significa também a expiação da Morte; todos sabemos que ele ressucitou no terceiro dia segundo as escrituras, significa, de certa forma, uma libertação, ou melhor, a grande libertação. E acho que é essa alegria, misturada í gratidão, que deve ser encenada, comentada, fruída.
Pois é por isso que essa data é comemorada, de outra forma, a paixão seria apenas mais uma execução no mediterrâneo oriental.
Posted by Bruno Hohenstaufen at abril 9, 2004 4:50 PM