Quando percebo que sábado já é carnaval, lembro-me de uma cidade, e não é o Rio de Janeiro, é Veneza. E isso me entristece...
No século XVI, Veneza era uma das grandes cidades do mundo, se economicamente já perdera a força para Lisboa, culturalmente permaneceu como um dos grandes centros do mundo, com uma profusão inimaginável de artistas vivendo em suas fronteiras que viram, dentre outras coisas, uma das mais importantes escolas de pintura, a maturidade da ópera, e dois dos maiores compositores de todos os tempos, Monteverdi e Vivaldi- musicalmente só Viena é páreo para ela; em termos de pintura, talvez ninguém.
Durante boa parte dos séculos seguintes, Veneza foi um centro de peregrinação para as pessoas que queriam conhecer tanto as relíquias que ela gerou, quanto as que ela roubou; que fez, e faz, dela uma das grandes representantes daquilo que se costuma chamar de cultura ocidental.
Hoje, Veneza é destino turístico de 1a. classe, especialmente para casais apaixonados que querem desfrutar de seu ar "romântico" e passear de gôndola com seus gondoleses breguérrimos cantando canções napolitanas (nem venezianas elas são!), as multidões profonam o túmulo de São Marcos em busca dos últimos souvenirs. Desse modo é melhor que ela se afogue no mar Adriático.
"A cidade não tem culpa", meu demônio doméstico me avisa, "a culpa é de uma cultura decadente."
É, deve ser.
