Interrompo mais uma vez a série dos poetas para mostrar algo que achei interessante.
Minha habilidade em artes pictóricas é tão grande que quase fui reprovado no exame médico-psicotécnio do Detran, se fosse eu já teria me declarado o Duchamp do século XXI. Mas isso não me impede de apreciá-la, sem embargo, meu conhecimento está praticamente nivelado com minha habilidade.
Peguei um livro na biblioteca da faculdade "La Peinture Byzantine", ao lê-lo, uma relação entre pintores ficou piscando na minha mente. Acho que todos vocês já ouviram falar de Domenikos Theotocopoulos, certamente não com esse nome, se reconhecem sob esse nome, eu ficaria com muita vergonha de falar as bobagens que falarei... mas como ia dizendo, vocês o conhecem como El Greco, e os mais afortunados certamente viram suas obras-primas em Toledo, Madrid, Barcelona, Paris, etc. Pois bem, ele, cretense de nascimento, numa época em que Creta pertencia a Veneza, parece ter alguma ligação com a famosa batalha de Lepanto (1571), batalha de que outro expoente da arte espanhola participou, Cervantes, depois de algumas viagens a Veneza, Modena, Gênova, ele chegou à Espanha e se estabeleceu em Toledo.
Mas não é meu objetivo contar a biografia de El Greco, mas mostrar umas descobertas minhas, podem até já terem sido extremamente comentadas, mas foi algo que achei instigante.
Vocês todos devem conhecer o Cristo "Pantokrator" (todo-poderoso), o ícone típico da igreja ortodoxa. Vejam seu mais famoso exemplo, na Santa Sofia, em Istambul:

A imensa semelhança que este Cristo de El Greco, não é exatamente assustadora quando se sabe que ele teve treinamento iconográfico ainda em Creta:

A posição do cristo, os três dedos levantados (símbolo da Santíssima Trindade), o olhar sereno, o tipo físico, o manto azul, e a auréola, tudo isso é característico nas imagens do Pantokrator, e está presente nessa pintura de El Greco.
Mas de tudo, o que achei mais fascinante foi essa pintura, de uma Bíblia:

Agoram vejam uma pintura clássica de El Greco:

Pode não parecer à primeira vista, mas as figuras alongadas, as cores inusitadas, a superposição de dois planos, um "celeste" e outro "terreno" (aliás, coisa que El Greco fez inúmeras vezes, em mais de 20 telas...), o gosto pela pintura de grupos, o estilo desses grupos, as faces, etc, etc. Parece, ao menos para mim, que há uma relação muito próxima de El Greco com sua antiga pátria. Normalmente dizem que ele manteve esse herança menos tecnicamente do que no espírito, vendo essas imagens eu me pergunto, será?
Posted by Bruno Hohenstaufen at fevereiro 14, 2004 12:40 AM