janeiro 21, 2004

Antes de falar dos espanhóis,

Antes de falar dos espanhóis, tenho que me corrigir. Lembraram-me, seu nome vai se conservar anônimo pois não sei se ela gostaria da exposição, de que a lírica de Baudelaire tem uma forte influência do Poe. Sim, isso é verdade: sem Poe, Baudelaire não existiria (e também creio que sem Baudelaire, Poe não existiria), mas acho que, pelas suas crenças artísticas, pelo ideal estético, Baudelaire encontra mais ressonância em Wagner, e quando encontra algo em Poe, isso pode ser encontrado também em Wagner. Costuma-se chamar Baudelaire de "cientista" e "maldito", fique acordado, que a parte do "cientista", do teórico, tem fortes influências Wagnerianas, com pinceladas de Poe; a parte "maldita" fica sendo Poeniana, com pinceladas de Wagner.

De qualquer forma, Wagner se considerava um apóstolo da Zukunftmusik (música do futuro, coitado...), sua crença de que a arte teria de ser revolucionária, a negação de uma retórica estabelecida, o postulado de que a forma deveria se adaptar ao conteúdo, pregando uma união completa entre forma e conteúdo, e ainda mesmo os apelos sinestésicos de sua Gesamtkunstwerk (obra de arte total) e o estranho misticismo de Parsifal, isso tudo teve influências inegáveis em Baudelaire, em todos os simbolistas e ainda além, basta lembrar que Proust é ainda mais wagneriano que Baudelaire. E creio que são essas diferenças que contrastam com o romantismo francês, de Hugo, Lamartine, etc; pois há, ainda que tímido, o "soturno" de Poe no romantismo francês.

Posted by Bruno Hohenstaufen at janeiro 21, 2004 12:35 AM