junho 16, 2004

C'era una volta in West...

Até há pouquíssimo tempo, os filmes não chegaram a excitar minha curiosidade intelectual, quer dizer, eu não queria gostar de filmes até algum tempo atrás. A razão consegue ser tão ridícula quanto lamentável, e pelo seu absurdo vocês devem acreditar: para mim o cinema não se caracterizava como uma arte pura por ser demasiado comercial, e, acreditem, não sou o único a pensar assim. Mas isso está ligado também ao chavão romântico do artista transtornado, etc, etc; um dos maiores representantes diz que suas obras são fatias de bolo, não ajuda a um jovem que lê Goethe e Schiller (com perdão da má palavra). Mas é uma fase passada e não vai ser nesse post que prosseguirei no apedrejamento do Romantismo alemão. Mas ainda hoje sou um iniciante em cinema, estou longe de ter esgotado o cânone.

Mas seguindo, venho fazendo uma revisão dos grandes clássicos do cinema, e ocorre de a maioria ser americana, pela mesma razão de quase todas as grandes óperas no século XVII e XVIII serem compostas em italiano para um publico, no mínimo, italianizado. Simplesmente o cinema americano no século XX atingiu um tal modo de domínio do meio, da tradição e de público que lhe permitiu ter uma produção tão vasta. Não sei se vocês já perceberam que as grandes obras de cinema fora dos Estados Unidos foram feitas até as décadas de 50, 60, quando o adjetivo "hollywoodiano" passou a ser levado como insulto na França. A partir daí quase todo o cinema europeu resolveu se tornar ou anti-hollywoodiano ou político, o que foi muito mais nocivo para a Europa do que qualquer outra coisa. E mesmo um bom cineasta como Bergman (bom, apesar de germânico demais para meu pobre gosto) sofre uma queda de produção nesse "turning point" da Europa.

Uns pecam pela afetação intelecutalóide, como se para compreender um filme fosse necessário uma aula de hermenêutica, ou uma noite com o diretor, e se valem de sua obscuridade para conseguir seus admiradores, como se por trás de uma história mal urdida escondesse algo de valor. Na maioria das vezes, não. Talvez algum desses seja bom, quem sabe...

Assisti dias desse ao tal Z do Costa Gavras, e saí com náuseas, de fácil apelo para comunistas e assassinos wanna-be, mas distanciando disso, se mostra um filme extremamente inferior a qualquer filme mediano do Hitchcock. Usa de efeitos tão fáceis como aquele filme comunista que está passando por aí.

Tão fáceis quanto qualquer daqueles blockbusters ridículos, a diferença é quem está sendo enganado pelos clichês.

Posted by Bruno Hohenstaufen at junho 16, 2004 8:11 PM