Acho muito interessante a maneira sutil como o senhor Júlio Daio Borges caracterizou meus confrades de portal no seu playground, somos ruins e somos nefandos porque crêem em uma Força Primeira (apud Aristotelem), e por comungarem aos domingos (uns bebem o vinho, outros não). E sim, pobres de nós, somos discípulos do Olavão, de segunda extração; ao que parece, além de neocons somos condenados a não darmos bons azeites de mesa, o que é uma pena.
Tentaram me evitar de escrever esse post, pois ele seria perigoso, iria aumentar as animosidades, não era para eu me envolver com isso, uma vez que sou apenas um enteado, recém-chegado e pouco lido, dentre outras coisas. Mas não dei ouvidos a eles, tu sai come sono le famiglie siciliane?
Quanto a mim, não sou uma olavete, nem nunca o li: não guardo o costume de ler livros de autores que nasceram depois de 1800, você sabe né, esse negócio de modernismo, revisionismo, pode pegar e eu prefiro evitar o contato direto. Com exceção das notícias de jonais sobre o Fluminense, que são a melhor literatura escrita em língua portuguesa desde Eça de Queirós. Talvez sejamos olavetes por sermos conservadores, embora concorde com a opinião do dono do bar de que não há muita coisa que restou para ser conservada, pelo menos dos últimos 200 anos, já que desconstruíram tudo.
Sim, reacionários, talvez, por ser alguém que vê a teoria da evolução (quando aplicada fora de seu lugar de direito, ou seja, a Marquês de Sapucaí) com algumas restrições e deseja recuperar algo do antigo aere perennius, sim, isso me aproxima, segundo dizem, do Olavão. Mas creio que nenhum homo bonae voluntatis iria se queixar disso, a menos que se regozije na akosmía contemporânea, pois negá-la só conseguem depois de muitos psicotrópicos. Fora isto, qualquer outra aproximação possível é reducionista e burra, pois é incapaz de perceber a diferença entre um conservador, um liberal e um neocon alucinado.
E nem desejo acabar com tudo dos modernos, há coisa boas que devem ser mantidas, como os filmes do F.W. Murnau, a obra completa do Janáček e os vídeos da Máquina Tricolor, coisas que certamente engrandeceram a experiência humana. Não sei quanto aos outros, mas nem conservador e nem reacionário, sou apenas um classicista com tudo que está associado a isto.
Posted by Bruno Hohenstaufen at julho 14, 2004 9:56 PM