julho 22, 2004

Cinismo

Eu traduzi alguns fragmentos do Sudas, Diógenes Laércio e outras fontes, sobre a vida dos filósofos cínicos. Como todos devem saber, a filosofia cínica foi uma das muitas filosofias "práticas" surgidas durante o helenismo, mas, ao contrário das outras não logrou construir, ou ao menos legar, um sistema filosófico mais apurado e abstrato. Sabe-se que vários filósofos cínicos chegaram a escrever várias obras, temos notícias até de uma República escrita por Diógenes, mas não temos muita notícia sobre seu conteúdo teórico. Mas o que torna os cínicos fascinantes é que mesmo ridicularizados freqüentemente, alguns de seus valores éticos acabaram sobrevivendo e podemos encontrar, até hoje, traços cínicos nas mais diversas doutrinas éticas que existem. Seja no estoicismo, no cristianismo e mesmo em algo da ética moderna, podemos encontrar uma influência cínica.

Por ser uma doutrina, talvez, unicamente ética, o valor dos exemplos e das vidas contadas nas biografias tem um valor muito mais alto que as anedotas sobre Heráclito ou Pitágoras, até porque nota-se nesses fragmentos que os exemplos de vida faziam parte dos ensinamentos cínicos. Além disso é através deles que sabemos quem eram os cínicos, e o básico de seus valores:

"Por isto dizia Diógenes que:
-Desde que Antístenes me libertou, nunca mais servi a ninguém.
-Como você se libertou?
-Escuta o que eu digo: ele me ensinou as coias que são minhas, e as que não são. As posses não são minhas. Os parentes, a família, os amigos, a fama, as relações, lugares, diatribe, tudo isso me é alheio.
-Então o que é seu?
-O uso das fantasias"
(Epicteto, discursos, livro 3- 14)

Posted by Bruno Hohenstaufen at julho 22, 2004 2:55 PM