Fui invocado a fazer esta lista, como podem notar pela lista abaixo, minha monografia e meus estudos gerais sobre cristianismo dominam quase totalmente o quadro contemporâneo, não chega a ser um tormento, pois é algo pelo qual me interesso muito.
1. Não podendo sair do “Fahrenheit 451″, que livro quererias ser?
A Chanson de Roland, porque me é mais próxima do que a Ilíada, mais concisa do que a Odisséia, mais profunda do que a Eneida, mais refinada do que o Cantar del Mio Cid, mais poética do que o Nibelungenlied e menos tosca que o Beowulf. Porque Roland é tudo aquilo que é ignorado hoje: fiel, justo e pio e porque mais do que nunca a luta entre verdade e mentira foi mais urgente do que hoje.
2. Já alguma vez ficaste perturbado/apanhado por uma personagem de ficção?
Sim, pelo Cálicles do Górgias do Platão, se suas objeções não perturbarem alguém, esse alguém não é uma "pessoa" no sentido ontológico da coisa. E, em uma temática muito próxima, Édipo, o Rei Segismundo do "La vida es sueño" do Calderón, o "Henrique IV" do Pirandello e o "Lear", o desconhecimento do que se passa em volta, seja pela loucura ou orgulho, ou qualquer combinação dos dois, é algo que sempre me perturbou.
3. O último livro que compraste?
As Cartas de Atanásio de Alexandrina a Serapião, o Dicionário de Patrística e Antigüidades cristãs, a Introdução a São Tomás de Aquino do Pe. Chenu. O Timeu de Platão e Tristão e Isolda de Godofredo de Estrasburgo.
4. Os últimos livros que leste?
A História da Educação na Antiguidade, de Henri-Iriné Marrou, Cristianismo Antigo e Paideia grega do Werner Jaeger, Orthodoxy do Chesterton, as duas cartas de Epicuro, a trilogia de Clemente de Alexandria: Protréptico, Pedagogo e os Stromata, Contra Academicos e De Magistro de Santo Agostinho, as Conversas com Igor Stravinsky do Robert Craft.
5. Que livros estás a ler?
A supracitada introdução a São Tomás de Aquino, Cristianismo e Cultura Clássica de Charles Cochrane, Sobre como educar as crianças e como ler os poetas de Plutarco e o Diálogo entre um Judeu, um Cristão e um Filósofo de Abelardo. Além de tudo que eu consegui achar do São Basílio.
6. Que livros levarias para uma ilha deserta?
Um volume com os diálogos de Platão, a Odisséia (que pode me valer inclusive como "guia do náufrago" entre outras coisas), a Bíblia, uma antologia bem completa do movimento trovadoresco em toda a Europa, uma coletânea do siglo de oro espanhol, com teatro (Calderón, Lope de Vega), Poesia (Quevedo, Gongora, Garcilaso de la Vega, São João da Cruz), Prosa (Cervantes e Santa Teresa d'Ávila), a Divina Comédia (pensei na Suma Teológica, mas a Divina Comédia é sua versão em versos) e a Consolação da Filosofia. Como alívio cômico, a Fenomenologia do Espírito de Hegel.
7. Quatro pessoas a quem vais passar este testemunho e por quê?
Ao Fileleno, à Marcela, ao Bernardo e à Milena, só que os três não têm blog, não sei se seria bom para eles que eles abrissem um.