maio 20, 2005

La doulce France

A história da França pode ser comparada à vida de uma pessoa que nasceu lá pela conversão de Clóvis e aos 20 anos se tornou, com Carlos Magno, um jovem forte, corajoso e inteligente, que viveu momentos intensos nessa época, os quais vai recontar muitas vezes, com um pouco de exagero na maturidade. Como é difícil manter sempre o sucesso, ficou um pouco obscurecido por um certo período, mas na meia idade, em 1200, se tornou um adulto maduro, inteligente, rico e bem sucedido, provavelmente o mais famoso de sua época. Mas nem sempre esteve bem fisicamente, logo depois de seu auge, passou por uma violenta crise de meia-idade, com doenças, problemas no trabalho e tudo mais, no entanto, graças a uma mulher que ele encontrou, conseguiu se reerguer.

E, superada a crise, voltou mais interessado em relembrar aquilo que suas madrastas e padastros fizeram na vida, ao mesmo tempo em que se tornava um velho ainda mais rico, extravagante, festeiro e brincalhão. Só que não se é eterno, e a idade traz doenças e outros problemas irreversíveis, e, chegando em 1700, foi se acentuando um esquecimento do passado, começou a ter idéias estúpidas e mirabolantes, foi ficando gagá e também assolado cada vez mais por idéias suicidas. Então, aos 80 anos, em 1789, já completamente sem reação ao mundo e esquecido pelos que outrora o admiravam, ele decidiu acabar com a sua vida. O que tivemos depois Victor-Hugo, Baudelaire, etc, foram apenas as convulsões do cadáver; e o que vemos agora(depois de duas vezes o irmão chato ter tentado roubar seus bens) com Derrida, Foucault, Sartre, é apenas o cheiro de metano advindo da decomposição.

Visitar a França é, pois, como visitar o túmulo de uma pessoa muito importante já morta: as referências e os monumentos de sua grandeza estão lá, mas acabam servindo para reforçar a idéia de que não voltará mais.

Posted by Bruno Hohenstaufen at maio 20, 2005 7:22 PM