Pode ser do conhecimento de poucos, mas Haroldo de Campos, Haroldão para os íntimos, depois de ter completado a tradução da Ilíada, ainda em sua crise de megalomania, resolveu traduzir, ou melhor, transcriar, o novo testamento. Segundo relatos, em casa de Décio Pignatari, o papai noel concretista afirmou que poucos reconheciam a poeticidade intrínsica do texto bíblico e que ele haveria de torná-la clara e manifesta.
Graças a intensa e incessante apuração jornalística, o Fogo Grego conseguiu, em primeira mão, os primeiros drafts desta tradução e aqui vai dispor um exemplo da magnífica técnica de transcriação do nosso Joyce-Pound tra(ns)dut(criad)or, o famoso Magnificat de Maria (Lucas 1, 46-55):
Maioriza o vento de mim o senhor
e se regoza o sopro de mim sobre o deus, o salvador de mim
que sobrolhou sobre a humilhação da dula dele
Vês pois a partir do agora beatizarão-me todos os genes
que fez a mim grandes o senhor
e sacro o onomástico dele
e a piedade dele para genes e genes
aos medo-tenentes dele
Fez potência no braço dele
Dissipou os super-brilhantes no antepensamento do coração deles
Deselegeu os senhores dos tronos e sobresalvou os humilhados
os faminentes enencheu de bons e os riquezas-tenentes exenviou vazios
antacolheu Israel-criança-sua
para ter se lembrado da piedade
Como disse para os pais de nós
ao Abraão e ao esperma dele para o sempre