Audi, dulcis amica mea,
auribus percipe verba oris mei
Nigra es sed formosa
et macula non est in te
Ideo amore tua langueo
et quia tribulor exaudi
deprecor orationem meam.
Veni plena gratia in mulieribus
descende in hortum meum
ubi sunt flores et lilia.
Veni dilecta mea
veni, coronaberis speciosa nimis
intra in cubiculum meum
et quoniam tu es spes mea
in te speravi.
fiat super me misericordia tua.
Segundo o sr. Houaiss, provavelmente se referindo a outro dicionário, a palavra, "corja" vem do malaio, como um indicativo de grupo de vinte, ou coisa que o valha, evoluindo para significa grupo, de uma maneira pejorativo. Devemos, pois, esta palavra ao imperialismo português, que além de trazer das Molucas as especiarias, trouxe-nos um tipo, nada sutil, de sectarismo.
Esses malaios devem ser pessoas completamente desagradáveis.
Uma das mais importantes migrações da história da humanidade formou o que podemos chamar de pré-história do país que hoje chamamos de república Tcheca, e vários outros, como a Iuguslávia e mesmo a Bulgária (apesar de derivarem este nome de uma tribo turca futuramente instalada naquelas regiões, atingindo mesmo a Grécia. Basicamente surgida dos destroços do grande reino da Morávia, e alterada em sua composição pela imigração judia e posteriormente germânica, os tchcos são a "ponta de lança" dos eslavos na Europa, tendo sido a primeira língua a se destacar do proto-eslavo, e também a única nação (junto com a Polônia e a Eslováquia) a não ser majoritariamente ortodoxa* (para esclarecer um pouco esse quisito, ver a continuação deste texto)
Mas o que faz da República Tcheca (ou Tchéquia, como eles agora querem ser chamados) tão fascinantes é a quantidade fantástica de escritores e músicos que eles deram ao mundo, liderados por Kafka, Janacek e Dvorak, sem contar a importante escola gótica e barroca que floresceu em Praga. Sem dúvida uma das razões dessa riqueza cultural é a quantidade de povos e culturas que a moldaram: eslavos ortodoxos, eslavos "romanos", judeus, alemães, dentre outros. Em uma mistura que deveria embrulhar o estômago de Hitler. Devido a isso, e seguindo uma comuidade do Iorgut, declaro a República Tcheca um dos países mais legais do mundo.
*Na verdade, isto é uma difícil decisão. Grosso modo, a Morávia, onde a migração germânica não foi tão forte, tem uma certa parcela grega (mas não a igreja ortodoxa oriental, pois não seguiram o patriarca de Constantinopla no Grande Cisma), mas tendo imensa maioria católica romana; a Boêmia sendo protestante. Essa é a tradição, porém, desde a época comunista os dados religiosos foram bastante bagunçados. O que é importante é que, para a Igreja Ortodoxa, a região da Morávia tem grande valor histórico, pois foi para lá que os bispos Cirilo e Metódio foram enviados como missionários, e foi lá onde a tradução da bíblia para o Eslavônio foi feita. Porém, com a queda do reino da grande Morávia, os missionários "gregos" foram expulsos da região pelos magiares e por missionários "romanos", e fundaram uma nova missão na Bulgária, de onde partiu, não obstante a evangelização da maioria dos povos eslavos.
"A única coisa que evolui é escola de samba"
Meu bordão.
Com licença senhores, agora desejo fazer um pequeno comercial não remunerado (coisa de bobo, bem sei) de um dos melhores livros que vocês podem encontrar no mercado: A lírica trovadoresca de Segismundo Spina, professor de Filologia da USP. Esse livro é a melhor introdução para se conhecer o que foi o movimento trovadoresco pan-europeu e não apenas alguma escola nacional em separadp, como sempre acontece em estudos literários (que são uma verdadeira Copa do Mundo...). Foi com ele que há uns dois anos que eu comecei a me apaixonar pela lírica dos Trovadores. E espero que o mesmo aconteça com quem o leia.
Não muitos outros livros em português tratam do lirismo provençal, menos ainda tratam dos Minnesänger, isso já bastaria pra comprovar o valor desta obra do Spina. Porém, trata-se, também, da melhor antologia existente do assunto em qualquer língua. Ao contrário do outro livro sobre o assunto, dos irmãos Metralha, esse livro apresenta as poesias no original seguidas de uma tradução literal e um comentário relevante e inteligente, não de um palpite poundiano. Que ele funcione para muitos conhecerem os poetas que tranformaram o provençal na mais bela das línguas modernas, afinal, são os poetas que dão beleza à língua, basta observar no português, temos exemplos de um português lindo:
ó cousas, todas vãs todas mudaves,
qual é tal coração qu'em vós confia?
Passam os tempos vai dia trás dia,
incertos muito mais que ao vento as naves
Como também um português horroso:
Lutar com palavras
é a luta mais vã.
Entanto lutamos
mal rompe a manhã.
São muitas, eu pouco.
Algumas, tão fortes
como o javali.
Aliás, como diria nosso presidente, "estou convencido" de que, se Camões pediu ao invés de uma frauta ruda, uma tuba canora e belicosa, Drummond, em sua invocação às Musas, pediu um som de cuíca ou apito, tamanha sua falta de traquejo com a última flor do lácio.
Mas para não ficar com um gosto ruim na boca, de coisa rançosa, um pouco de Raimbaut d'Aurenga:
Ara non siscla ni chanta
rossinhols,
ni crida auriols
en vergier ni dins forest,
ni par flors groia ni blava:
e si·m nais
jois e chans,
e creis en veillians,
car no·m ve cum sol
en somnians.
Car a midons atalanta
que·m lonh dols,
e serai be fols
s'eu totz temps ab leis non rest,
pus franh ma dolor plus brava:
si que fais
ni afans
no·m pot esser dans,
ni maltraigz no·m dol
paucs ni grans.
A tradução do Spina (e não minha):
Agora não silva nem canta o rouxinol nem agrita o "oropêndola" no vergel ou no meio do bosque, nem surge a flor amarela ou azul, e em mim nascem júbilo e poesia, que aumentam velando, pois não é em sonhos que me aparecem- como é costume.
Desde que à minha senhora seja agradável que eu afugente minhas penas, néscio seria eu se não permanecesse continuamente a seu lado, visto que ela suprime a angústia mais dolorosa, de tal forma que os próprios afãs e obstáculos deixam de ser penosos nem pequenas ou grandes angústias me consomem.
Depois de um comentário feito no blog do Adrian, me lembrei de que uma das poucas restrições que faço à minha antipatia em relação à música novecentista alemã é Schubert. Minha canção preferida sendo a soturna "Der Tod und das Mädchen":
Vorüber! Ach, vorüber!
Geh, wilder Knochenmann!
Ich bin noch jung, geh, Lieber!
Und rühre mich nicht an. - -
"Gib deine Hand, du schön und zart Gebild!
Bin Freund und komme nicht zu strafen.
Sei guten Muts! ich bin nicht wild,
Sollst sanft in meinen Armen schlafen!"
A primeira parte desta canção é bonita, mas razoavelmente normal, a segunda é que é misteriosa, principalmente pela linha vocal, insistentemente martelando a mesma nota, o que mostra que Schubert estudou Mozart direitinho. Acho fantástico, e lindo.
Já não fugia a bela ninfa, tanto
Por se dar cara ao triste que a seguia,
Como por ir ouvindo o doce canto,
As namoradas mágoas que dizia.
Volvendo o rosto, já sereno e santo,
Toda banhada em riso e alegria,
Cair se deixa aos pés do vencedor,
Que todo se desfaz em puro amor.
Oh! Que famintos beijos na floresta,
E que mimoso choro que soava!
Que afagos tão suaves, que ira honesta,
Que em risinhos alegres se tornava!
O que mais passam na manhã e na sesta,
Que Vénus com prazeres inflamava,
Melhor é exp'rimentá-lo que julgá-lo:
Mas julgue-o quem não pode exp'rimentá-lo.
Destarte, enfim, conformes, já as formosas
Ninfas c'os seus amados navegantes,
Os ornam de capelas deleitosas
De louro e de ouro e flores abundantes.
As mãos alvas lhe davam como esposas;
Com palavras formais estipulantes
Se prometem eterna companhia,
Em vida e morte, de honra e alegria.
Uma delas maior, a quem se humilha
Todo o coro das Ninfas, e obedece,
Que dizem ser de Celo e Vesta filha,
O que no gesto belo se parece,
Enchendo a terra e o mar de maravilha,
O Capitão ilustre, que o merece,
Recebe ali com pompa honesta e régia,
Mostrando-se senhora grande e egrégia.
Que, depois de lhe ter dito quem era,
Com um alto exórdio, de alta graça ornado,
Dando-lhe a entender que ali viera
Por alta influição do imóvel fado,
Para lhe descobrir da unida esfera
Da terra imensa, e mar não navegado,
Os segredos, por alta profecia,
O que esta sua nação só merecia,
Tomando-o pela mão, o leva e guia
Para o cume dum monte alto e divino,
No qual uma rica fábrica se erguia
De cristal toda, e de ouro puro e fino.
A maior parte aqui passam do dia
Em doces jogos e em prazer contino:
Ela nos paços logra seus amores,
As outras pelas sombras entre as flores.
Assim a formosa e a forte companhia
O dia quase todo estão passando,
Numa alma, doce, incógnita alegria,
Os trabalhos tão longos compensando.
Porque dos feitos grandes, da ousadia
Forte e famosa, o mundo está guardando
O prêmio lá no fim, bem merecido,
Com fama grande e nome alto e subido.
Que as Ninfas do Oceano tão formosas,
Tethys, e a ilha angélica pintada,
Outra coisa não é que as deleitosas
Honras que a vida fazem sublimada.
Aquelas proeminências gloriosas,
Os triunfos, a fronte coroada
De palma e louro, a glória e maravilha:
Estes são os deleites desta ilha.
Que as imortalidades que fingia
A antigüidade, que os ilustres ama,
Lá no estelante Olimpo, a quem subia
Sobre as asas ínclitas da Fama,
Por obras valorosas que fazia,
Pelo trabalho imenso que se chama
Caminho da virtude alto e fragoso,
Mas no fim doce, alegre e deleitoso:
Não eram senão prêmios que reparte
Por feitos imortais e soberanos
O mundo com os varões, que esforço e arte
Divinos os fizeram, sendo humanos.
Que Júpiter, Mercúrio, Febo e Marte,
Eneias e Quirino, e os dois Tebanos,
Ceres, Palas e Juno, com Diana,
Todos foram de fraca carne humana.
Até há pouquíssimo tempo, os filmes não chegaram a excitar minha curiosidade intelectual, quer dizer, eu não queria gostar de filmes até algum tempo atrás. A razão consegue ser tão ridícula quanto lamentável, e pelo seu absurdo vocês devem acreditar: para mim o cinema não se caracterizava como uma arte pura por ser demasiado comercial, e, acreditem, não sou o único a pensar assim. Mas isso está ligado também ao chavão romântico do artista transtornado, etc, etc; um dos maiores representantes diz que suas obras são fatias de bolo, não ajuda a um jovem que lê Goethe e Schiller (com perdão da má palavra). Mas é uma fase passada e não vai ser nesse post que prosseguirei no apedrejamento do Romantismo alemão. Mas ainda hoje sou um iniciante em cinema, estou longe de ter esgotado o cânone.
Mas seguindo, venho fazendo uma revisão dos grandes clássicos do cinema, e ocorre de a maioria ser americana, pela mesma razão de quase todas as grandes óperas no século XVII e XVIII serem compostas em italiano para um publico, no mínimo, italianizado. Simplesmente o cinema americano no século XX atingiu um tal modo de domínio do meio, da tradição e de público que lhe permitiu ter uma produção tão vasta. Não sei se vocês já perceberam que as grandes obras de cinema fora dos Estados Unidos foram feitas até as décadas de 50, 60, quando o adjetivo "hollywoodiano" passou a ser levado como insulto na França. A partir daí quase todo o cinema europeu resolveu se tornar ou anti-hollywoodiano ou político, o que foi muito mais nocivo para a Europa do que qualquer outra coisa. E mesmo um bom cineasta como Bergman (bom, apesar de germânico demais para meu pobre gosto) sofre uma queda de produção nesse "turning point" da Europa.
Uns pecam pela afetação intelecutalóide, como se para compreender um filme fosse necessário uma aula de hermenêutica, ou uma noite com o diretor, e se valem de sua obscuridade para conseguir seus admiradores, como se por trás de uma história mal urdida escondesse algo de valor. Na maioria das vezes, não. Talvez algum desses seja bom, quem sabe...
Assisti dias desse ao tal Z do Costa Gavras, e saí com náuseas, de fácil apelo para comunistas e assassinos wanna-be, mas distanciando disso, se mostra um filme extremamente inferior a qualquer filme mediano do Hitchcock. Usa de efeitos tão fáceis como aquele filme comunista que está passando por aí.
Tão fáceis quanto qualquer daqueles blockbusters ridículos, a diferença é quem está sendo enganado pelos clichês.
Por que discutem tanto Joyce e o Ulysses se ninguém o leu?
Ah claro, parecer inteligente é mais fácil do que ser.
"Escrevo isso, como julgo ser a verdade: os discursos dos gregos são muitos e risíveis, como me parece."
Vejam isto
Vejam! É lindo, emocionante. Só Deus sabe como era Constantinopla em seu auge. Tanto para árabes quanto para europeus, era a cidade mais bonita do mundo. As descrições que temos chegam ao ponto de impressionar os visitantes de tal maneira a, segundo palavras de um genovês do século XII, "cidade não parece uma cidade feita por homens como nós, e sim por Deus e pelos anjos". Também pudera, Bizâncio reunia a maioria dos grandes artefatos da antigüidade, os mais preciosos presentes de Delfos, a Estátua de Zeus em Olímpia, e, sendo a cidade mais rica do mundo, o padrão financeiro do mediterrâneo, o grande porto comercial, certamente tinha recursos suficientes para construir uma cidade que, aos olhos dos bárbaros do ocidente, não se parecia com nada visto. Provavelmente nenhuma outra cidade na história chegou a reunir tantos e tão grandiosos monumentos.
Com o que nos restou da Hagia Sophia e os diversos testemunhos deixados na periferia: Daphni, Ravenna, entre outros, nós até temos uma pequena idéia do que nos foi perdido. Este site nos dá uma idéia do que foi perdido nos saques de 1204 e de 1453, dois dos maiores atentados ao patrimônio humano.

Reconstrução de como deveria ser a Igreja de Santa Sabedoria em época bizantina, sem a pintura vermelha e sem os minaretes adicionados em época muçulmana
48 Aperta è l'Aurea porta, e quivi tratto
è il re, ch'armato il popol suo circonda,
per raccòrre i guerrier da sí gran fatto,
quando al tornar fortuna abbian seconda.
Saltano i due su 'l limitare, e ratto
diretro ad essi il franco stuol v'inonda,
ma l'urta e scaccia Solimano; e chiusa
è poi la porta, e sol Clorinda esclusa.
49 Sola esclusa ne fu perché in quell'ora
ch'altri serrò le porte ella si mosse,
e corse ardente e incrudelita fora
a punir Arimon che la percosse.
Punillo; e 'l fero Argante avisto ancora
non s'era ch'ella sí trascorsa fosse,
ché la pugna e la calca e l'aer denso
a i cor togliea la cura, a gli occhi il senso.
50 Ma poi che intepidí la mente irata
nel sangue del nemico e in sé rivenne,
vide chiuse le porte e intorniata
sé da' nemici, e morta allor si tenne.
Pur veggendo ch'alcuno in lei non guata,
nov'arte di salvarsi le sovenne.
Di lor gente s'infinge, e fra gli ignoti
cheta s'avolge; e non è chi la noti.
51 Poi, come lupo tacito s'imbosca
dopo occulto misfatto, e si desvia,
da la confusion, da l'aura fosca
favorita e nascosa, ella se 'n gía.
Solo Tancredi avien che lei conosca;
egli quivi è sorgiunto alquanto pria;
vi giunse allor ch'essa Arimon uccise:
vide e segnolla, e dietro a lei si mise.
52 Vuol ne l'armi provarla: un uom la stima
degno a cui sua virtú si paragone.
Va girando colei l'alpestre cima
verso altra porta, ove d'entrar dispone.
Segue egli impetuoso, onde assai prima
che giunga, in guisa avien che d'armi suone,
ch'ella si volge e grida: "O tu, che porte,
che corri sí?" Risponde: "E guerra e morte."
53 "Guerra e morte avrai;" disse "io non rifiuto
darlati, se la cerchi", e ferma attende.
Non vuol Tancredi, che pedon veduto
ha il suo nemico, usar cavallo, e scende.
E impugna l'uno e l'altro il ferro acuto,
ed aguzza l'orgoglio e l'ire accende;
e vansi a ritrovar non altrimenti
che duo tori gelosi e d'ira ardenti.
54 Degne d'un chiaro sol, degne d'un pieno
teatro, opre sarian sí memorande.
Notte, che nel profondo oscuro seno
chiudesti e ne l'oblio fatto sí grande,
piacciati ch'io ne 'l tragga e 'n bel sereno
a le future età lo spieghi e mande.
Viva la fama loro; e tra lor gloria
splenda del fosco tuo l'alta memoria.
55 Non schivar, non parar, non ritirarsi
voglion costor, né qui destrezza ha parte.
Non danno i colpi or finti, or pieni, or scarsi:
toglie l'ombra e 'l furor l'uso de l'arte.
Odi le spade orribilmente urtarsi
a mezzo il ferro, il piè d'orma non parte;
sempre è il piè fermo e la man sempre 'n moto,
né scende taglio in van, né punta a vòto.
56 L'onta irrita lo sdegno a la vendetta,
e la vendetta poi l'onta rinova;
onde sempre al ferir, sempre a la fretta
stimol novo s'aggiunge e cagion nova.
D'or in or piú si mesce e piú ristretta
si fa la pugna, e spada oprar non giova:
dansi co' pomi, e infelloniti e crudi
cozzan con gli elmi insieme e con gli scudi.
57 Tre volte il cavalier la donna stringe
con le robuste braccia, ed altrettante
da que' nodi tenaci ella si scinge,
nodi di fer nemico e non d'amante.
Tornano al ferro, e l'uno e l'altro il tinge
con molte piaghe; e stanco ed anelante
e questi e quegli al fin pur si ritira,
e dopo lungo faticar respira.
58 L'un l'altro guarda, e del suo corpo essangue
su 'l pomo de la spada appoggia il peso.
Già de l'ultima stella il raggio langue
al primo albor ch'è in oriente acceso.
Vede Tancredi in maggior copia il sangue
del suo nemico, e sé non tanto offeso.
Ne gode e superbisce. Oh nostra folle
mente ch'ogn'aura di fortuna estolle!
59 Misero, di che godi? oh quanto mesti
fiano i trionfi ed infelice il vanto!
Gli occhi tuoi pagheran (se in vita resti)
di quel sangue ogni stilla un mar di pianto.
Cosí tacendo e rimirando, questi
sanguinosi guerrier cessaro alquanto.
Ruppe il silenzio al fin Tancredi e disse,
perché il suo nome a lui l'altro scoprisse:
60 "Nostra sventura è ben che qui s'impieghi
tanto valor, dove silenzio il copra.
Ma poi che sorte rea vien che ci neghi
e lode e testimon degno de l'opra,
pregoti (se fra l'arme han loco i preghi)
che 'l tuo nome e 'l tuo stato a me tu scopra,
acciò ch'io sappia, o vinto o vincitore,
chi la mia morte o la vittoria onore."
61 Risponde la feroce: "Indarno chiedi
quel c'ho per uso di non far palese.
Ma chiunque io mi sia, tu inanzi vedi
un di quei due che la gran torre accese."
Arse di sdegno a quel parlar Tancredi,
e: "In mal punto il dicesti"; indi riprese
"il tuo dir e 'l tacer di par m'alletta,
barbaro discortese, a la vendetta."
62 Torna l'ira ne' cori, e li trasporta,
benché debili in guerra. Oh fera pugna,
u' l'arte in bando, u' già la forza è morta,
ove, in vece, d'entrambi il furor pugna!
Oh che sanguigna e spaziosa porta
fa l'una e l'altra spada, ovunque giugna,
ne l'arme e ne le carni! e se la vita
non esce, sdegno tienla al petto unita.
63 Qual l'alto Egeo, perché Aquilone o Noto
cessi, che tutto prima il volse e scosse,
non s'accheta ei però, ma 'l suono e 'l moto
ritien de l'onde anco agitate e grosse,
tal, se ben manca in lor co 'l sangue vòto
quel vigor che le braccia a i colpi mosse,
serbano ancor l'impeto primo, e vanno
da quel sospinti a giunger danno a danno.
64 Ma ecco omai l'ora fatale è giunta
che 'l viver di Clorinda al suo fin deve.
Spinge egli il ferro nel bel sen di punta
che vi s'immerge e 'l sangue avido beve;
e la veste, che d'or vago trapunta
le mammelle stringea tenera e leve,
l'empie d'un caldo fiume. Ella già sente
morirsi, e 'l piè le manca egro e languente.
65 Segue egli la vittoria, e la trafitta
vergine minacciando incalza e preme.
Ella, mentre cadea, la voce afflitta
movendo, disse le parole estreme;
parole ch'a lei novo un spirto ditta,
spirto di fé, di carità, di speme:
virtú ch'or Dio le infonde, e se rubella
in vita fu, la vuole in morte ancella.
66 "Amico, hai vinto: io ti perdon... perdona
tu ancora, al corpo no, che nulla pave,
a l'alma sí; deh! per lei prega, e dona
battesmo a me ch'ogni mia colpa lave."
In queste voci languide risuona
un non so che di flebile e soave
ch'al cor gli scende ed ogni sdegno ammorza,
e gli occhi a lagrimar gli invoglia e sforza.
67 Poco quindi lontan nel sen del monte
scaturia mormorando un picciol rio.
Egli v'accorse e l'elmo empié nel fonte,
e tornò mesto al grande ufficio e pio.
Tremar sentí la man, mentre la fronte
non conosciuta ancor sciolse e scoprio.
La vide, la conobbe, e restò senza
e voce e moto. Ahi vista! ahi conoscenza!
68 Non morí già, ché sue virtuti accolse
tutte in quel punto e in guardia al cor le mise,
e premendo il suo affanno a dar si volse
vita con l'acqua a chi co 'l ferro uccise.
Mentre egli il suon de' sacri detti sciolse,
colei di gioia trasmutossi, e rise;
e in atto di morir lieto e vivace,
dir parea: "S'apre il cielo; io vado in pace."
Torquato Tasso, Gerusalemme Liberata, canto XII, amanhã eu falo mais dele.
Alfinetar Wagner e os alemães do século XIX é uma de minhas atividades preferidas, é quase um esporte, com diversas modalidades, ironia, crítica ácida, comparação com o nazismo e, a minha preferida: blasfêmia:
A diferença entre Gilbert and Sullivan e Wagner é que os ingleses sabiam quando terminar uma música
Na verdade o Stravinsky disse em relação a Strauss, mas serve também com Wagner.
Estou ouvindo um disco que desenterrei em um sebo portenho: o quintetos para codas e violão do compositor italiano Luigi Boccherini. Nascido em 1743 em Lucca, na Toscana, Boccherini, um renomado violoncelista, como muitos músicos do período, viajou por todo o continente, trabalhou no Concert Spirituel em Paris, foi compositor do Príncipe de Prússia e terminou sua vida em uma segunda estadia na Espanha, a serviço dos Bonaparte.
A música de Boccherini, extremamente bem construída e com um dom melódico singular, atinge sua maturidade exatamente no momento em que surge a música de Beethoven, o que de alguma maneira indica um rompimento na compreensão de música e até de arte. Um representa o esteticismo, o outro o "expressionismo", um a melodia, o outro a harmonia.
O curioso é que ambos foram influenciados por Haydn, e ambos seguem a mesma lógica da forma sonata e do desenvolvimento temático, mas com uma ênfase completamente diferente. Beethoven, influenciado pelo romantismo nascente, por Napoleão e pelo ambiente filosófico e político, resolveu fazer de sua música uma própria revolução, ainda que não distanciando de seus modelos clássicos. É uma música que tenta comover seu ouvinte mais do que propriamente oferecer prazer, que explora os extremos, do tutti ao silêncio, do modo maior ao menor, do mar de diminutos da exposição do primeiro movimento da quinta sinfonia à série de compassos na dominante no finale da mesma.
Boccherini já se situa em um mundo muito diferente, você nunca vai ouvir Boccherini ser comparado a um Titã, ou a qualquer outra comparação pequeno burguesa de mau gosto e pouca instrução. Boccherini não compunha para influenciar seu público: é uma música leve, é uma música bem-humorada e extremamente bonita. Ao contrário do burguês inculto e facilmente impressionável, ele escrevia para o nobre educado e refinado, conhecedor de uma tradição e provavelmente conhecedor de música. Se Boccherini falasse que a música era uma revelação maior que toda a filosofia, seu patrão o despediria e mandava contratar um músico menos ignorante. É uma música carregada de melodia, com uma instrumentação sempre delicada, sempre inteligente, refinada.
Não quero transformar isso em uma seção de apedrejamento de Beethoven, até porque ele nem sempre se enquadra nestes estereótipos da época, especialmente no final de sua vida, mas isso serve para mostrar que a suposta "primazia" de Beethoven em relação a seus conterrâneos é algo que pode ser contestado. Parece bem claro que hoje em dia Beethoven venceu, não apenas na música, mas a visão expressionista sobre a estética.
Eu diria que isso tem um pouco a ver com uma necessidade, na sociedade moderna de querer ficar justificando a existência da arte, de volta ao mesmo problema de Platão e Aristóteles. Como o velho estagirita já tentava resolver, a interpretação psicologista e analística tende a ser mais bem vista do que a simplesmente estética, por isso que se escolhe Beethoven: "Beethoven é grande porque ele expressa o drama do homem em sua condição de blá, blá, blá", como se isso fosse sua razão de ser.
Bah, isto está muito longe da arte. Arte é beleza, e é isso a torna válida e essencial. E Boccherini é belo, isso basta para ele.
Claro que há mais a se extrair desse assunto, ao qual volta e meia eu volto. Por isso não me preocupo em esgotá-lo, não é essa a função de um blog.
Uma vez que no Brasil comemora-se o dia dos namorados na véspera do dia de Santo Antônio, não sem sentido, pois ninguém por essas bandas sabe quem foi São Valentim. Aliás, você sabe quem é São Valentim? Eu desconhecia até tropeçar em sua tumba, nos arredores de Dublin. Bem, o importante é que o Dia dos namorados, uma data que ajuda a perpetuar o amor na face da terra. E este blog não poderia ficar atrás e oferece maravilhosos roteiros românticos:
1)Saída à noite para assistir ao Sétimo Selo, de Bergman, depois, ouvindo a Trenodia para as vítimas de Hiroshima, o amante recita para sua amada as elegias de Sólon.
2)Saída à noite para assistir a Persona, de Bergman, na saída, ao som da Nona de Mahler, os amantes recitam trechos de Titus Andronicus, de Shakespeare, ou do Atreu, de Sêneca.
3)Saída à noite para assistir ao Triunfo da vontade da doce Leni Riefenstahl, depois, ao som das Carmina Burana de Orff, os amantes recitam trechos escolhidos de Schopenhauer, da obra em prosa de Wagner e Nietzsche.
Olá, agora acho que a maioria já sabe o motivo da minha queda produtiva, desde que fui convidado, há cerca de um mês, pelo educadíssimo Fileleno, me inibi na publicação de mais posts. Agora, me sinto mais livre para falar as minhas bobagens costumeiras.
É sempre agradável mudar de casa, é claro que sempre há um incomodozinho, à noite, quando acordo para buscar água, não raramente esbarro nas paredes e na mobília velha e nova. Então vamos nos acostumando em ficar aqui, vizinho do Fabio e do Guilherme.
Claro que não me sinto estranho aqui, já fui convidado, e penetra também, em vários do blogs dessa vizinhança. Acho que a maioria de vocês também os conhece e não se sentirá estranhada, em um lugar diferente e hostil. Sim, são os wunderbloggers, pessoal em geral culto e bem-humorado, com as exceções que todo mundo conhece.
Agora apressem-se a ler e conhecer os outros novos blogs, mais tarde eu posto outra coisa.
Economistas de plantão, por favor. Estava pensando no conceito de trabalho e mais valia do evil Marx. Aplicando esse conceito na produção de trufas, os capitalistas malvados estariam explorando a mão-de-obra (?) dos cachorros? Mas ainda assim estes ainda estariam no domínio dos meios de produção (isto é, o nariz e as patas), o que não significa a exploração da teoria marxista. De qualquer forma, acho que, marxistamente, o trabalho canino vale mais que o trabalho do operário; então porque não trocamos os operários por cachorros, que não fazem greve?